A parte I do final de “Harry Potter – E as relíquias do mal” retrata, como em todas as guerras, os ânimos dos personagens que se conciliam de acordo com o estranhamento da situação. As relações são moldadas mais do que nunca a partir da confiança. E entre tantos momentos dramáticos as piadas marcam espaço como parte importante do enredo. A quebra de momentos que, por vezes, podem levar ao choro com cenas típicas do humor inteligente e sarcástico transmite a sensação de inconstância de sentimentos em um momento de guerra.
O filme foi montado sem sutilezas e ao mesmo tempo o corte de uma cena a outra é uma transição que passa a sensação de agilidade, o que se faz necessário, já que as cenas são em grande parte tomadas externas – sem muitos detalhes criados com efeitos especiais, como em Hogwarts. Os três amigos viajam pelas lembranças de Hermione para lugares praticamente desérticos. Enquanto tentam sobreviver para encontrar a solução das charadas que levaram a localização das horcruxes – partes da alma de Voldemort – que devem ser destruídas. A solidão é muito explorada. Assim como as inseguranças de cada um.
A tensão amadurece junto com a interpretação dos atores principais, agora representando adultos. Mas quem se destaca é Rony (Rupert Grint) com uma atuação sóbria, digna de atores ingleses. Talvez nos outros filmes o cenário e os efeitos especiais digam mais do que os personagens inseridos no contexto. Dessa vez as atuações podem muito bem lembrar as de peça de teatro no sentido de destacar com intensidade a expressividade de cada um, o que deixa o cenário em segundo plano como um complemento.
A cena que demonstra o tom que percorrerá o filme é a de Hermione em casa com os pais. Onde ela usa a magia para retirar as lembranças de si mesma como parte da família. Ela vai sendo apagada de todos os porta-retratos espalhados pela casa. Isso conta muito sobre a jornada solitária dos três amigos. O testamento de Alvo Dumbledore é o ponto que remete a jornada do herói de Campbel. A herança deixada por ele beneficia os três e indicam as possíveis situações que virão.
Fique atento a história dos três irmãos contada em animação. Esse filme talvez até mais que os outros é uma constante trilha de pequenas pistas que levam o espectador a imaginar a continuação final. Cenas de tortura conseguem se equilibrar com a intenção de esperança. A trilha de Alexander Desplat está para este filme como o bem casado em casamentos, o desfecho perfeito para cada uma das cenas fotografas pelo diretor, David Yates


