"Foca"da

Pondo a verdade em foco

Uma década em um ano

O programa Milênio, exibido nas madrugadas de terças-feiras, às 0h30, entrevista personalidades internacionais e nacionais de pensamento inovador e revolucionário. Nesse intuito, foi ao ar no dia 19 de fevereiro de 2008, uma entrevista com o sociólogo Todd Gitlin, professor de jornalismo na Universidade de Columbia. A entrevista, com intuito de mostrar as heranças de 1960 na história político-cultural e o futuro dos Estados Unidos, foi realizada pelo jornalista e apresentador do Manhattan Connection, Lucas Mendes.

Gitlin, como ex-presidente do movimento político Estudantes por uma Sociedade Democrata (SDS), durante os anos de 1963-64, ajudou a organizar a primeira demonstração nacional contra a Guerra do Vietnã. Ele escreveu doze livros, entre eles, “The Sixties: Years of Hope, Days of Rage” descrito pelo The New York Times como “obrigatório, ambicioso e importante”.

O jornalista inicia a entrevista questionando o que de fato aconteceu na década de 1960, resumida no ano de 1968 pela quantidade de eventos que marcaram a história da sociedade. O sociólogo, partindo de uma análise geral, afirmou ter se tratado de uma luta entre a esquerda e a direita indo contra a afirmativa de ser apenas um conflito de gerações, sendo esta uma resposta rápida dos repórteres. Ou “talvez fosse a revolta global contra o imperialismo”, disse Gitlin.

Ele comentou ainda que todas as gerações estavam divididas. Como é evidenciado no confronto entre manifestantes e policiais ocorrido na cidade de Chicago, no período da Convenção Democrata Nacional (DNC), que elegeria o novo candidato à Presidência. A manifestação foi inicialmente um festival pela vida, organizado pelo movimento Yippie (Partido Jovem Internacional). Após o conflito, o grupo ficou originalmente conhecido como “Chicago Eight”, em razão do numero de fundadores do movimento, e foram acusados de conspiração, dentre eles Abbie Hoffman.

Gitlin acredita que havia na época uma tendência de acreditar que tudo estava conectado, quando na verdade se tratavam de momentos díspares e as semelhanças eram superficiais, havendo muito mais diferenças do que pontos em comum. Na visão do sociólogo, ao comparar os anos de 1968 e 2008, não há quase nenhuma conexão ou semelhança. O terreno cultural está muito diferente, não há uma revolução cultural ocorrendo hoje. “A guerra cultural tinha a tendência de ir em direção a abertura”, afirma o professor da Columbia. Uma herança do ano de 1968 é que a cultura hoje é mais aberta e diversificada.

Ainda fazendo uma conexão entre os anos de 1968 e 2008, pelo fato de os Estados Unidos estarem em um momento de eleições, o jornalista pergunta ao sociólogo se considera a comparação entre Robert F. Kennedy e o senador Barack Obama cabível. Em resposta, Giltin diz que “Kennedy era mais experiente e com mais aliados, já Obama é muito mais novato, foi muito menos testado”, embora possam ser comparados no sentido de representar esperança de mudança. Em relação à Obama, as pessoas “olham para ele como se ele pudesse andar sobre águas”, completou Todd Giltin.

A entrevista relembra grandes fatos ocorridos no ano de 1968, como o assassinato de dois homens que eram a favor da paz: Martin Luther King Jr. e Robert F. Kennedy. Além disso, Gitlin descreve o momento histórico de insatisfação do povo em relação aos acontecimentos mundiais, que levaram às grandes mudanças que ocorreram a partir desse período, como a realização de protestos por todo o mundo contra a Guerra do Vietnã e a favor dos Direitos Civis, a liberdade sexual com o advento da pílula anticoncepcional, a criação da minissaia e da calça jeans, a oportunidade de infância às crianças que antigamente eram tidas como pequenos adultos, e a quebra dos padrões de moral familiar.

Mas acima de tudo, o ano representa a transição de valores culturais do período das Guerras Mundiais e Guerra Fria para um período de maior responsabilidade para com a vida.

 

 

          

2 Comentários»

  dionisiusneto wrote @

Muito bom! ò timo texto. Bem escrito e bom de lê. Gabriela é sensacional.

  Mila wrote @

Gaby!
Para de se exigir tanto..
Seus artigos estão ótimos!
É claro que cada um sabe o potêncial que tem. Se você acha que poderia fazer melhor que isso, é isso aí!
Seus artigos (na minha opinião, não sei se vale alguma coisa) estão bem elaborados e ricos em informações..
Continue assim que você está no caminho certo!
Beijos!


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