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Hallowen de Welles: Doce ou travessura?

Tanga-Deu no New York Times

Tanga-Deu no New York Times

Em 1938, Orson Welles, radialista e diretor de cinema, pregou uma peça na população norte-americana a partir da transmissão de uma invasão, pelo único meio de difusão massificada da época, o rádio, finalizada em meio ao caos gerado.

A rádio CBS transmitiu no dia 30 de outubro a companhia de teatro, “Mercury Theater”, que interpretou uma versão jornalística do romance de ficção científica, “A Guerra dos Mundos” escrita pelo inglês, H. G. Wells. A obra foi três vezes adaptada para o cinema, a última vez em 2005, do diretor, Steven Spilberg, estrelada por Tom Cruise.

O romance descreve uma invasão marciana, com o objetivo de extrair os recursos naturais da Terra. A versão de Wells foi contextualizada no período em que, o rádio havia criado um vínculo emocional com os ouvintes, por meio da voz do presidente Franklin Roosevelt, reeleito três vezes, e aterrorizado a população alemã com o pensamento nazista, de reconstrução do país.

O objetivo do radialista era revelar a intensidade de persuasão dessa ferramenta, de alcance massificado, e o poder dos meios de comunicação sobre a formação da opinião pública estadunidense. Foi uma crítica meticulosa à falta de criticidade e interesse do povo americano em relação às informações divulgadas.

A simulação durou cerca de quarenta minutos, e a impressão no público era que se tratava de um acontecimento verossímel, em razão do formato adotado no roteiro, com uma progração musical interrompida constantemente por boletins de notícia.

Aqueles que estavam sintonizados na rádio foram avisados de que seria dramatizada a obra de Wells, mas os que ligaram o rádio mais tarde, ou não prestaram atenção entraram em pânico.

Após alguns minutos de programação, e uma sucessão de boletins, foi relatado um meteoro nas proximidades de Nova York. O que desencadeou notícias “ao vivo” de mortes, e a oferta de apoio feita pelos países do Eixo, contra um inimigo em comum, os Marcianos.

A população estadunidense correu às ruas, ligou para a polícia, bombeiros, familiares e tentou fugir das cidades mais atacadas, Nova York e New Jersey. Isso motivou o caos, ou seja, as pessoas semearam o terror e o pânico umas às outras. Algumas declararam ter visto clarões, fogo, e outros traços de guerra.

Muitos quiseram reconstituir a proeza de Welles. O incentivo partiu da curiosidade em explorar o subconsciente do medo que há no ser humano. Como aconteceu em 1971, durante a ditadura, em São Luís do Maranhão. Antes disso, em 1944 na capital do Chile, Santiago.

Uma exemplificação do poder da mídia é o filme, “Tanga- Deu no New York Times?” no qual o diretor, Henfil satiriza a inflência que o jornal americano tem nas ações de um ditador caribenho numa ilha fictícia.

O 4º poder tem que informar a população com responsabilidade inerente ao profissional que possui compromisso com a verdade. Se fosse reproduzido nos dias de hoje, a “peça” de Welles talvez obtivesse maior impacto, pois os meios de comunicação se expandiram e as pessoas continuam a temer o desconhecido em seu inconsciente.

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