"Foca"da

Pondo a verdade em foco

Manual do tecelão de histórias

Bússola para o arquétipo

A primeira edição da obra do roteirista de Hollywood, Christopher Vogler, foi publicada em 1992. Originou-se das sete páginas do “Memorando Vogler” (Um Guia Prático do Herói de Mil Faces). Um memorando corporativo veiculado aos roteiristas dos estúdios da Walt Disney, onde trabalhava Vogler, no Departamento de Desenvolvimento de Idéias.

A proposta desse guia era uma estrutura para formular histórias que possuíssem uma empatia universal, capaz de possibilitar uma identificação imediata do público com a obra. O objetivo era reaquecer as produções cinematográficas da Walt Disney, que, na década de 80, passava por uma fase sem sucessos de bilheteria. A estratégia de Vogler era baseada no livro de Joseph Campbell “O Herói de Mil Faces”, que trabalha a idéia do monomito, conceito de jornada cíclica presente em mitos, dividida em três seções: Partida, Iniciação e Retorno.

A estrutura mencionada por Vogler, atual presidente da empresa de consultoria literária “Storytech”, repercutiu no trabalho de vários roteiristas e escritores. Influenciou os filmes da Disney, desde “A pequena sereia” até “Mulan”. E pode ser contemplada em roteiros contemporâneos como a trilogia “Matrix” e “Sob o sol da Toscana”.

O livro é dividido em duas partes. O apêndice traz, além do plano da jornada, uma filmografia rica em grandes títulos do cinema norte-americano, que merecem ser vistos e apreciados, como as várias obras de Alfred Hichtcock.

No decorrer do livro, Vogler traça um paralelo entre a trajetória do herói e a cena de um filme. E transpõe para a realidade contemporânea textos mitológicos, como a Odisséia, o que possibilita ao leitor criar uma imagem completa e se identificar com o conteúdo do livro.

O autor toma como um exemplo fiel dos estágios da jornada, a trama da heroína Dorothy, do clássico “O mágico de Oz”. A comparação é Visível a partir da travessia do “Mundo comum do herói” (a vida pacata de Dorothy, representada por cenas em branco e preto), para o “Mundo Especial” (cheio de magia e novidades, em que as cenas são finalmente coloridas).

O livro é repleto de informações interessantes para o escritor, identificando erros comuns em uma narrativa e oferecendo dicas que visam enriquecer o enredo. A partir de pequenas perguntas formuladas ao leitor, no fim de cada capítulo, Vogler propõe questionários para que o leitor possa tecer comparações entre o que acabou de ler e as histórias contadas pela humanidade.

A intenção dos arquétipos identificados nas histórias não é a de reproduzir fielmente o monomito, embora esta nomenclatura reconduza ao conceito de padrão. É utilizada como um suporte para o narrador, e não como uma fórmula ou receita, visando construir algo novo.

Vogler faz um apelo ao roteirista para que separe as etapas do percurso em fichas na hora de formular a jornada do herói, possibilitando uma maior mobilidade ao adaptá-las na parte que melhor convier à sua própria visão de mundo.

No comments yet»

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: