"Foca"da

Pondo a verdade em foco

Ontem Bobby, Hoje Obama

Passado e presente mais próximos do que nunca

Nas eleições de 1968, Robert F. Kennedy foi impedido de concretizar as mudanças que defendia em sua campanha a favor dos direitos civis, e a eleição de Obama, quarenta anos depois, representa esse caráter de mudança.  O número de eleitores que elegeram Obama, entre mulheres, negros e jovens, foi o maior desde 1976, vitória que muitos acreditam que Kennedy conquistaria se não tivesse sido assassinado. Senador de NY, Bobby Kennedy

Ambos são graduados na Universidade de Harvard, possuem o mesmo gosto musical, como Bob Dylan, que apoiou Obama nas eleições presidenciais de 2008. Detalhe: Obama escolheu a mesa de Bobby, em sua legislatura no Senado.

Ao traçar um paralelo entre esses dois candidatos, temos que considerar a diferença de tempo entre as duas candidaturas. A qual não parece tão grande ao observar-se que a esperança e a fé estão presentes em ambas as campanhas, e por ocorrerem em momentos de dificuldade similar, como as guerras do Vietnã e Iraque, respectivamente.

Evan Thomas, autor da biografia de Robert Kennedy, cita em seu livro que “ele tinha se tornado uma grande tela na qual as pessoas projetavam suas esperanças e medos.” Essa tela pode ser vista hoje no pacote, moderno de Obama que atrai os eleitores jovens e de maior grau de instrução. Jovens que se indignaram com as mortes prematuras ocorridas no Iraque, assim como os jovens de quarenta anos atrás, com as mortes ocorridas na Guerra do Vietnã, até hoje sem explicação para aquela parcela da população diretamente afetada, que perdeu filhos, irmãos, amigos e maridos.

Kennedy tornou-se um símbolo de esperança e mudança, palavras chave da campanha de Obama. O tema de sua campanha é a esperança. Ele diz em seu site: “Eu estou pedindo que vocês acreditem. Não só na minha habilidade de trazer uma verdadeira mudança a Washington. Eu estou pedindo para que vocês acreditem em vocês”. Isso foi o que a população norte-americana buscou na figura desses dois candidatos, uma mensagem de esperança e confiança em si mesmos, um espelho de sua esperança em um mundo melhor.

O presidente eleito, Barack Obama

Contrapondo as duas campanhas, destaca-se que os direitos civis estão presentes nos discursos, atitudes, idéias e propostas de ambos, e demonstraram profunda preocupação com a união e a paz. Bobby caminhava ao lado do pacifista Martin Luther King Jr., em direção à paz, e com a perspectiva da retirada americana do Vietnã, assim como Obama planeja retirar as tropas americanas do Iraque. Essas duas guerras causaram o  inconformismo da população, guerras sem perspectiva de vitória, com jovens americanos mortos sem saber o porquê.

Os dois candidatos conquistaram uma camada da sociedade americana pouco atuante na política: os jovens. Uma das razões para a simpatia dos jovens em relação ao senador de Nova York, Bob Kennedy, foi o discurso em que ele reconheceu sua parcela de culpa pela Guerra do Vietnã. Algo com que muitos cidadãos se identificaram, assumiram que foi um erro e admiraram o pedido de desculpas. Enquanto a população jovem de hoje, nos Estados Unidos, não quer ir para a guerra, não quer repetir os erros de seus pais e avós.

Os jovens refletem as ânsias da sociedade e 66% deles votaram em Obama, por acreditar que ele era a melhor escolha para defender seus interesses de acabar com a guerra no Iraque. A juventude de 68, mais do que qualquer outra, demonstrou sua indignação perante as atitudes do governo e lutou pela igualdade e liberdade de expressão, formando o eleitorado jovem que votou no candidato democrata de 68.

Ao se referir a Luther King, durante um comício em Indianápolis, Bobby disse: “O que precisamos nos Estados Unidos não é de divisão, nem ódio, nem violência, nem balbúrdia, mas de amor e sabedoria e compaixão uns para os outros e sentimento de justiça para com aqueles que sofrem em nosso país, brancos ou negros”. No aniversário de quarenta anos da morte do pacifista, Obama discursou sobre o legado que Luther King deixou para ser concluído. Disse que a união entre as pessoas é o caminho para o sucesso, o que lembra o discurso de seu partidário há quarenta anos.

Os sonhos de uma geração de americanos foram frustrados na noite de 5 de junho de 1968. O país continuou assistindo sua decadência com o decurso dos tempos. Porém, surgiu, em 2008, uma esperança. Um presidente que representa não só o sonho perdido daquela geração de 1968, mas a concretização dos ideais de igualdade, esperança e modernidade de uma nação.

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