"Foca"da

Pondo a verdade em foco

Copom estabelece a taxa Selic em 8,75% sem viés

Como acontece a divulgação do resultado da reunião do Copom e a apuração dos jornalistas para a publicação das notícias que afetam no dia a dia do brasileiro

Por: Gabriela Miranda, Nicole Vasconcelos, Mariana Sadeck e Julia Menezes

É no Banco Central do Brasil (BC) que acontece de 45 em 45 dias, a reunião do Copom. O edifício, que acompanha a arquitetura moderna da cidade, abriga as decisões mais importantes a respeito da economia do país. Uma delas é a determinação da taxa básica de juros (Selic) – razão pela qual ocorre a reunião – e que serve como parâmetro para o controle da inflação.

O encontro dentro do ambiente austero e imponente, guardado por um segurança a cada canto, se dá durante o período de dois dias entre o atual presidente do Copom – Henrique de Campos Meirelles, também presidente do BC – e seus diretores, ordinariamente oito vezes por ano e extraordinariamente quando necessário, por convocação do presidente do Copom.

No primeiro dia de reunião é feita uma contextualização da economia mundial e interna no qual são observados índices e dados dos mais variados. A reunião tem início às 16h e só termina depois das 18h, impreterivelmente, pois é necessário ter ocorrido o encerramento das negociações na Bolsa de Valores (Bovespa), para que não haja especulação.

O resultado da decisão votada pelo colegiado, composto pelos diretores presentes na reunião e seu presidente – que determinará a taxa Selic – é lido pelo assessor de imprensa do BC, Vicente Nunes, em uma nota de aproximadamente cinco linhas para o conhecimento dos jornalistas, que nesse momento estão aguardando em uma sala com os celulares em punho e computadores conectados, para tentar dar a notícia em primeira mão.

Para a assessora de imprensa do Banco Central, Érica Andrade, os meios de notícia exercem essa tentativa, quase impossível devido à sincronização exercida entre a assessoria e a divulgação on-line no próprio site do BC, em razão à disputa por segundos. Ainda segundo a assessora o clima na sala é tenso, e quando é dado o comunicado começa o alvoroço – que remete ao pregão da Bovespa.

Os jornalistas, de acordo com Érica Andrade, procuram um sinal de modificação entre esta determinação e a anterior na tentativa de interpretar o resultado. Isso é feito de várias maneiras: uma delas é estar atento se a decisão for unânime ou não e as possíveis razões para esse cenário. “O que é diferente é notícia”, afirma a assessora. A mesma coisa ocorre na semana seguinte à reunião, quando é disponibilizada a ata do Copom em português, e no dia seguinte, a tradução em inglês.

Segundo a assessora do BC, existe a tentativa por parte dos jornalistas para facilitar a entendimento dos leitores, mas ainda assim persiste a incompreensão. Pois, para ela, os cidadãos têm dificuldade em relacionar as notícias econômicas com seu dia a dia.

De acordo com o jornalista da Folha de São Paulo, Eduardo Cucolo – que tem uma mesa fixa na sala de jornalistas dentro do BC – é feita uma pré-apuração por parte dos jornalistas com entrevistas de economistas e professores da Universidade de Brasília (UNB), dentre outros. Todos eles prestam as declarações com base nas possíveis variáveis para o resultado. Cucolo é responsável por sempre elaborar três possíveis matérias para seu jornal sobre a decisão do Copom: uma se a Selic for alterada para mais, outra se for para menos e outra se for mantida. Isso é feito pelo pouco tempo que ele tem para publicar a matéria de acordo com o resultado final.

Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, criado em 1979 pelo Banco Central e pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima) com o objetivo de tornar mais transparente e segura a negociação de títulos públicos. A taxa Selic é a taxa básica de juros usada em operações de bancos e tem influência sobre os juros de toda a economia. O controle da inflação é necessário. Para Érica Andrade “a inflação é um mal que recai sobre os pobres”.

Inflação

A inflação é um fenômeno monetário medido mensal ou anualmente. Referente ao aumento contínuo e generalizado no valor dos preços e como conseqüência a perda do valor aquisitivo do dinheiro. Penaliza principalmente quem possui dinheiro em espécie não aplicado e que vive de rendimento fixo.

Um dos principais objetivos econômicos do governo é estabilizá-la e mantê-la baixa. O índice de inflação em zero significa estabilidade financeira.

Banco Central

O Banco Central do Brasil (Bacen) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda criada em 1964, que executa as políticas definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fiscalizando, assim, o Sistema Financeiro do país. O Bacen também é conhecido por ser o “banco dos bancos”. Segundo Érica Andrade, “o papel do Banco Central é ser o guardião do valor da moeda”.

Além disso, ele é responsável, privativamente, por emitir papel-moeda e moeda metálica nas condições e limites autorizados pelo CMN, regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis, efetuar – como instrumento de política monetária – operações de compra e venda de títulos públicos federais, exercer o controle do crédito sob todas as suas formas, entre outras atribuições.

O “banco dos bancos” normatiza, fiscaliza, autoriza e intervém no sistema financeiro, controlando a liquidez do mercado e dos meios de pagamento. Além de ser o fiel depositário das reservas internacionais do país diante das instituições financeiras internacionais, ele também faz o orçamento monetário e o saneamento do meio circulante (dinheiro).

O cargo de presidente do Banco Central se equipara ao de Ministro de Estado e é escolhido pelo presidente da República sendo, antes de tomar posse, sabatinado pelo Senado Federal.

Ata do Copom

Em 20 de junho de 1996 o Comitê de Políticas Monetárias (Copom) foi criado com a finalidade de definir a taxa de juros (taxa SELIC), estabelecer as diretrizes das políticas monetárias e analisar o Relatório de Inflação. Por meio do decreto 3.088/99, as decisões do comitê fixaram como objetivo principal o cumprimento das metas de inflação previamente definidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Ao final de cada semestre civil (março, junho, setembro e dezembro) o comitê publica o Relatório de Inflação, que analisa com detalhes a conjuntura econômica e financeira do Brasil, assim como faz as projeções para os próximos anos. As decisões tomadas só surtirão efeito após alguns meses, por essa razão, ele serve para sinalizar o mercado para o que acontecerá no futuro da economia do país.

A última ata do Copom de 2009 foi finalizada no dia 21 de outubro, no Edifício Sede do Banco Central em Brasília. O comitê que definiu essa ata foi formado por Henrique Meirelles – Presidente, e pelos diretores do BC Alexandre Antonio Tombini, Alvir Alberto Hoffmann, Anthero de Moraes Meirelles, Antonio Gustavo Matos do Vale, Maria Celina Berardinelli Arraes, Mario Gomes Torós e Mário Magalhães Carvalho Mesquita.

No comments yet»

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: