"Foca"da

Pondo a verdade em foco

Erro necessário?!

A busca pela verdade é um preceito para o jornalismo. Na prática essa verdade deve ser alcançada a partir de métodos objetivos, em vez de ser compreendida como objetivo final. Essa afirmação é referente ao pressuposto estabelecido por Kovach e Rosenstiel no livro “Elementos do Jornalismo” para exercer a profissão de repórter.

O ombudsman da Folha de S. Paulo defende um argumento similar ao apresentar as constatações de erros por parte dos colegas na coluna intitulada: “Errar é parte da busca pela verdade”, assinado por Carlos Eduardo Lins da Silva.

Nessa coluna do dia 7 de fevereiro deste ano ele explora, a partir das erratas, a maneira como o jornal lida com os erros publicados. Para isso, ele cita exemplos de equívocos cometidos por dois presidentes norte-americanos – de grande destaque na mídia em contextos diferentes – e a postura assumida por cada um deles.

O primeiro a ser citado é o presidente Barack Obama que, pela atitude de admitir seus próprios erros em relação à administração referente ao mandato dele, é retratado por Carlos da Silva como um caso raro entre pessoas públicas, “políticos e jornalistas em partícular” completa ele.

A honestidade de Obama foi comparada a falta da mesma por parte de Richard Nixon em referencia a um caso notório no jornalismo norte-americano, o Watergate.  Nixon só assumiu sua culpa anos depois de renunciar ao cargo, para evitar o que teria sido o primeiro impeachment presidencial nos Estados Unidos. A façanha por traz da busca pela confissão dele foi retratada no filme Frost/Nixon.

No entanto a verdadeira crítica do ombudsman é direcionada aos jornalistas que têm relutância a assumir o erro. Para Silva, reconhecer os equívocos cometidos num jornal equivale a limitar futuras ocorrências e dar ênfase à verificação e transparência de quem são as fontes e o contexto em que as afirmações estão inseridas.

A humildade é outro critério de Kovach e Rosenstiel e pode ser muito útil na hora do jornalista se preparar para uma entrevista. As fontes são canais de informação, mas não se deve chegar a uma entrevista sem ter feito uma apuração prévia sobre os possíveis temas a serem discutidos lendo tudo o que houver e tirar dúvidas com alguém de confiança, essas são algumas das dicas de Cremilda Medina, autora do livro “Entrevista o diálogo possível”.

De acordo com o livro, “Elementos do jornalismo” é a verificação que possibilita a aproximação do leitor aos fatos sem temer o que o colunista coloca como fenda entre a realidade e sua representação. O que pode ser evidenciado no jornalismo literário feito por Gay Talese e Tom Wolfe, para citar alguns. Eles conseguiram criar um novo gênero ao juntar os elementos da narrativa literária como a descrição e a apuração detalhada, que caracteriza o bom jornalismo.

A representação do fato é algo que pode ser feito de diferentes pontos de vista o que não significa acrescentar informações descontextualizadas. Segundo Luiz Pereira Junior, em seu livro “Guia para a edição jornalística” é dever do jornalista distinguir o que é dito em resposta à perguntas e o que é dito espontaneamente.  Não cabe ao jornalista inventar personagens e falas ou acrescentar artifícios que acredita que darão mais ênfase ao fato. A mesma regra serve para a produção de títulos.

Na errata do dia 15 de junho publicada na Folha na editoria de mercado o título dizia: “Servidor do Cade treina acordo em Yale e Harvard”, o que criava uma falsa expectativa ao leitor que depois foi informado de que o curso ocorreu em São Paulo com professores das universidades estadunidenses.

Os erros acontecem, mas se os jornalistas buscarem a verdade de maneira objetiva, seguindo critérios estabelecidos de acordo com o estilo de cada um é possível minimizar a margem de erro. Existem vários estilos de edição entre eles a cética, baseada em respostas para as possíveis dúvidas que cada trecho do texto poderia causar nos leitores. As perguntas respondidas no lead (quem, onde, quando, porque, pra quê, como, onde) podem muito bem ser utilizadas para verificar a construção do contexto e o uso das declarações durante a edição.

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